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LUCAS NIHIL SUMMER

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Localização: Norte, Portugal

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quarta-feira, abril 27, 2005

rio de silêncio

fotografia analógica, lucas nihil [ preto e branco, iso 200]

no frio do tempo,
escorrem ecos passados.
sopra leve o vento,
sobre tristes sinas e fados.
a solidão,
das sombras que se deitam no chão
respiram o medo,
receoso que sufoca o coração

eu fico a escutar
o rio em silêncio,
no espaço do tempo
entre o que fui
entre quem sou,
a vida é um sopro
ao vento.

se ninguém sabe,
eu não quero saber,
sou o que sempre fui,
sou o que ninguém,
sabe dizer

fotografia no " Parque Nacional da Peneda-Gerês, o único parque nacional português reconhecido pela riqueza e variedade da sua fauna, flora e ambiente natural em geral. "

quinta-feira, abril 21, 2005

conversa de estátuas



pé ante pé
senti a chegar
com gestos largos,
veio me entregar
um beijo.
Confiou no meu ouvido
uma pergunta,
que fazer se achar
o desejo ?

camara analógica, fotografias em Santiago Compostela, por lucas nihil

foi o mar...

....perto de Esposende, num lugar qualquer.....

fotografia analógica, por lucas nihil

foi a imensidão do mar
se calhar
foi o sal do teu olhar

[…o mundo em redor parou ]

mas foi por quem eu queria
que rompia
a melancolia

[…no entanto o mundo rodou]

quarta-feira, abril 20, 2005

sem franquia...s.f.f.

peguei um baú de veludo
lá dentro pus quase tudo
com imensa paciência

sabes que tenho urgência
por tal, preciso te ver
tudo isto, vou devolver

pedaços da lua e mar
o pranto, o choro, e a razão
assim como, o verbo amar

não te envio por correio
porque esta tarefa não,
não vou deixar pelo meio

[ uma caixa de correio qualquer ] fotografia lucas nihil

sábado, abril 16, 2005

rabiscos áridos

rabiscos
fotografia lucas nihil
que fazer, redondilha menor, redondilha maior…..há já sei, talvez um soneto….mas nem um verso…ele há dias….amanhã, talvez…..hoje vim aqui só para não morrer…

terça-feira, abril 12, 2005

momentos a todas as horas

peguei no pincel
pintei no papel
palavras rugosas

na tela eu queria
dizer que sentia
horas dolorosas

revelei segredos
escorreram medos
em tinta fugidia

quando cheguei ao fim
olhei para mim
vi a tela vazia

sábado, abril 09, 2005

pedaços de solidão

á procura de matar o desejo
eu provei a tua língua e saliva
mas nada encontrei nesse deserto
tu tão morta e eu pleno de vida

as tuas pernas rolaram do sofá
o teu corpo moveu o meu olhar
suspenso em perpetuo silêncio
agarrei num só folgo o teu andar

pelo caminho caíram pedaços
como gelo senti-os na minha mãos
tombaram no chão sonhos esquecidos
sujos como trapos de solidão

coração de trapos

fotografias por lucas nihil


...enquanto olhava o candeeiro da minha sala...

Ontem,
deixei cair o meu coração,
caiu no chão, foi sem querer, foi sem intenção.
Mas também não quis logo pegar nele,
afinal, pouca falta me estava a fazer.
Senti o meu mundo desvanecer,
porque pouco importância tinha o que estava a acontecer.

Olhei para ele, todo amarrotado, sujo e tão gasto.
Pobre coração, ali abandonado no chão,
entre o caos e o devir, como um velho farrapo,
entregue ao pó da solidão que se amontoava no sítio onde ele foi cair.
Fiquei também a saber, que afinal, ele ali podia ficar.
Rodeado de muros de silencio, pouca falta me estava a fazer.

Mas com esforço, lá o fui buscar.
Afinal é o meu coração e não o posso,
assim ali, o abandonar.
Mas também, não era isso que me estava a incomodar,
de ele só ali ficar.

Era mais a preocupação,
de o ter de dividir, mas nunca multiplicar.
De ter de o arrancar, de quando em vez, em vez de oferecer.
E mais a mais, eu pouco lhe exigia,
em vez de sangrar, estar curado, era tudo o que lhe pedia.

segunda-feira, abril 04, 2005

instante


fotografia por lucas nihil

Queria ser um pássaro louco
esvoaçar em estranhos gestos
no seio da turba destorcida

Em troca de rosto e desejos
ter tristes penas em vez de vida

Sobre o teu carpo nu passar
despojado de qualquer amor
sem vontade de lutar por ti

Voaria louco sem rancor
em busca das asas que perdi

olhar sem cor


longe das sete colinas sem cor
vivo suspenso no vício da dor
por entre as sombras do meu passado
sinto a vida querer passar ao lado

eu fujo do tempo indolente
para curar a minha alma doente
tento matar a falsa sensação
de andar em busca de redenção

vejo voar ao largo do meu olhar
a desgraça de quem teima em passar
por entre as sete colinas sem cor
vivo suspenso no vicio da dor