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LUCAS NIHIL SUMMER

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Localização: Norte, Portugal

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segunda-feira, novembro 28, 2005

cidade néon adormecida


fotografia lucas nihil [ manipulada digitalmente]

nesta cidade adormecida
os carros voam nas luzes
que se quebram
na minha janela esquecida

reflectem no vidro
álcool e néon azul

pedaços de um passado
vivem
como estilhaços
encrostados nos meus olhos semicerrados

eu vejo o vermelho fogo
de rostos em reflexos semáforos

estrelas pingam
lágrimas de solidão
até à exaustão

são corações em fuga
que voam nas luzes dos carros
que se quebram
na minha janela esquecida





.......................


segunda-feira, novembro 21, 2005

Conversas no jardim [ o autor, a flor e a abelha ]




Exterior. No jardim. Dia.

FLOR: Porque andam os nossos corações, em busca um do outro nesta árdua caminhada?

ABELHA: Para que a nossa vida seja testemunhada.

FLOR: A nossa vida é um pequeno nada, alem do amor, que nos resta ao fim?

ABELHA: No fim resta-nos as memórias

FLOR: E quando um de nós partir?

ABELHA: Um de nós ficará para perpetuar a nossa vida, contando as nossas histórias.

FLOR (suspirando): Então a vida não é nada senão um mar de memórias.


Exterior. Cadeira de baloiço. Observando o jardim.

AUTOR (pensativo): Eu só sei que vivo porque vos conto as minhas histórias.



.........

sábado, novembro 12, 2005

o outono nos nossos dias

fotografia lucas nihil


eu vi-te vestida de Outono
olhos castanhos molhados
cara pálida de orvalho

o Verão dos sorrisos passou
a paixão das Primaveras
ficaram encarceradas
nas gotas de orvalho molhado de Outono

fui o Inverno da displicência
e os meus olhos verdes cor de agua
destroçaram os teus olhos molhados de castanho

fica a promessa
de todas as estações
este será o Inverno
mais quente dos nossos corações







....

domingo, novembro 06, 2005

....trá-ra-trá-pá



em destroços

de sílabas amargas

perdi o pé

vamos lhe acertar o passo

em compasso

sincopado

e encorpado

...Trá-ra-trá-pá…

ao som do tambor

vamos lá

tem que ser já

toca a marchar

não podes parar

que a vida

foi feita

para ser vivida

E ser sofrida

e esquece a dor

bailo no fio

da navalha

Alto, quem vem lá

preciso que venham cá

dentro do meu peito

rasgar a batalha

…Trá-ra-trá-pá…

ao som do tambor

senti o coração

estalar de dor

e rebentar

ao som de

um ordinário

compasso binário

Trá-ra-trá-pá…

ao som do tambor




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