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LUCAS NIHIL SUMMER

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Localização: Norte, Portugal

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segunda-feira, janeiro 30, 2006

viagem a sul sem azul

Fotografia por lucas nihil


Amanhã, rumo em direcção a Sul.


entre o norte e o sul dos ponteiros

os meus sonhos andam sempre vestidos
de azul
tolhidos na cor do ar

fico escondido nas sombras
das horas
onde os ponteiros tecem com vagar
O tempo

Amanhã, à hora marcada
e tolhido na cor do ar
incolor
eu vou,
para longe de ti, meu amor
::

domingo, janeiro 22, 2006

Encruzilhadas linhas das minhas mãos

fotografia por lucas nihil

eu trago nas minhas mãos enrugadas

as linhas que vos dou a conhecer

encruzilhadas e entrelaçadas

malvadas e complicadas

são testemunhos

rascunhos

de multiplicidades

são cumplicidades

bem intencionadas

e tantas vezes

mal interpretadas

linhas amarrotadas e engelhadas

inúmeras

não as posso contar

ou seus segredos vos contar

quando em nós a vida se sente

enganada e recusada

cansada e esgotada

pesada de tanto pesar

quantia mais

que aquela que se pode em nós levar

conto com elas

para me recordar

que a vida não é

somada ou dividida

em aritmética facilitada

e nem sempre sofrida

em progressão geométrica

quando dou por mim

nesta loucura sem fim

de ajustar contas com a vida.

……..

andei a brincar aos informáticos, agora só para a
semana é que ponho isto direito.

domingo, janeiro 15, 2006

Hoje,

sou um cais de silêncio
onde a minha alma se entrega.



........................

sábado, janeiro 07, 2006

parque da cidade

Sessenta e cinco anos redondos
que eu tenho quando me sento
no banco do jardim

E vejo os crescer e passar
nos destroços destas avenidas
e prédios com ruelas sem saídas

são uns tristes, sem tristeza
não se pensa em sonhos
sonhar não é pensar
sabe-se viver sem vida.

enfim, sentado no banco do jardim
penso cá para mim
somos almas atormentadas

não se parte em busca
não há nada a procurar
procura-se viver
dia a dia devagar
sem pressa de acabar
de romper estes laços unidos pela desgraça

aqui neste lugar,
são pedaços de cada um de nós
usados como arma de arremesso
onde sujos e corrompidos véus de desespero
tapam-nos a boca
sufocam-nos os gritos
falta-nos o ar dentro da cabeça

desolados e sós
o nosso espaço é difícil
existem curvas sinistras
dos nossos corpos ondulantes
e atormentados

enfim, os meus olhos
esbatem-se no chão
os meus lábios ficam roxos
torcidos de aflição
talvez haja quem lhe chame solidão.

sessenta e cinco anos redondos,
que eu tenho quando me trazem à rua
demonstram assim
o carinho que nutrem por mim
quando me trazem a este banco do jardim






o ano está a começar…
mas não é minha pretensão iniciar um qualquer movimento de consciencialização social…
aconteceu…





…………………………