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sábado, janeiro 07, 2006

parque da cidade

Sessenta e cinco anos redondos
que eu tenho quando me sento
no banco do jardim

E vejo os crescer e passar
nos destroços destas avenidas
e prédios com ruelas sem saídas

são uns tristes, sem tristeza
não se pensa em sonhos
sonhar não é pensar
sabe-se viver sem vida.

enfim, sentado no banco do jardim
penso cá para mim
somos almas atormentadas

não se parte em busca
não há nada a procurar
procura-se viver
dia a dia devagar
sem pressa de acabar
de romper estes laços unidos pela desgraça

aqui neste lugar,
são pedaços de cada um de nós
usados como arma de arremesso
onde sujos e corrompidos véus de desespero
tapam-nos a boca
sufocam-nos os gritos
falta-nos o ar dentro da cabeça

desolados e sós
o nosso espaço é difícil
existem curvas sinistras
dos nossos corpos ondulantes
e atormentados

enfim, os meus olhos
esbatem-se no chão
os meus lábios ficam roxos
torcidos de aflição
talvez haja quem lhe chame solidão.

sessenta e cinco anos redondos,
que eu tenho quando me trazem à rua
demonstram assim
o carinho que nutrem por mim
quando me trazem a este banco do jardim






o ano está a começar…
mas não é minha pretensão iniciar um qualquer movimento de consciencialização social…
aconteceu…





…………………………

Comments on "parque da cidade"

 

Anonymous Anónimo said ... (12:19 p.m.) : 

Palavras que lapidam formas permitindo apurar a essência dum sentir profundo... Um beijo enorme :)

 

Blogger folhasdemim said ... (11:05 a.m.) : 

Se cuidarmos uns dos outros a solidão diminui consideravelmente.
Beijos, Betty

 

Blogger Isa Maria said ... (9:37 p.m.) : 

"Sessenta e cinco anos redondos
que eu tenho quando me sento
no banco do jardim"

Podemos ser novos, mas sermos velho quando, a solidão nos bate à porta sentados no jardim.

 

Anonymous Anónimo said ... (1:57 p.m.) : 

A solidão é algo que se sente em qualquer idade... por vezes é doloroso por outras é mais uma forma de reflexão sobre a vida...
No banco de jardim por onde poderiamos ter passado a nossa infância... agora com o passar dos anos o mesmo banoc... o mesmo local... a mesma cidade... a mesma pessoa com mais experiência e mais madura...
Os anos podem passar... mas o nosso carácter, o nosso coração não muda... apenas apanha mais experiência de vida... esperemos que com muito amor sentados nesse banco de jardim...
Mais uma vez adorei passar por aqui...
Obrigado por partilhares esse sentimento lindo que tens no coração aqui neste espaço lindo...
jinhos doces e carinhosos***
de quem muito te admira...
Estrelita...

 

Blogger mariabesuga said ... (2:46 p.m.) : 

o amor, a amizade, o carinho e a ternura toda que tiveres para dar farão a tua mais fiel companhia, matarão a tua solidão, porque dando, vais ter concerteza à tua volta, a vida toda, o amor todo que semeares... pareces ser assim, de alma.

 

Blogger Isa Maria said ... (10:54 p.m.) : 

obrigado pelas tuas palavras no meu blog. O meu mundo já está um pouco colorido, mas não ligues a estes pessimismos da Imar...sou assim e nada há a remendar.

 

Blogger Cristina Melo said ... (7:04 p.m.) : 

Não consigo ler , devido à pequenez dos caracteres, mas, o que li gostei.
Pergunto sobre o porquê dos caracteres serem tão pequenos ?!

 

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