Ontem,
deixei cair o meu coração,
caiu no chão, foi sem querer, foi sem intenção.
Mas também não quis logo pegar nele,
afinal, pouca falta me estava a fazer.
Senti o meu mundo desvanecer,
porque pouco importância tinha o que estava a acontecer.
Olhei para ele, todo amarrotado, sujo e tão gasto.
Pobre coração, ali abandonado no chão,
entre o caos e o devir, como um velho farrapo,
entregue ao pó da solidão que se amontoava no sítio onde ele foi cair.
Fiquei também a saber, que afinal, ele ali podia ficar.
Rodeado de muros de silencio, pouca falta me estava a fazer.
Mas com esforço, lá o fui buscar.
Afinal é o meu coração e não o posso,
assim ali, o abandonar.
Mas também, não era isso que me estava a incomodar,
de ele só ali ficar.
Era mais a preocupação,
de o ter de dividir, mas nunca multiplicar.
De ter de o arrancar, de quando em vez, em vez de oferecer.
E mais a mais, eu pouco lhe exigia,
em vez de sangrar, estar curado, era tudo o que lhe pedia.

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