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LUCAS NIHIL SUMMER

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Localização: Norte, Portugal

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terça-feira, junho 28, 2005

as manhãs que me faltam

Fotografia por lucas nhihil, analógica.…algures entre…. Portugal e Espanha...





gostava de enclausurar-me nas nuvens

eu só tenho o vento
que me amarra ao chão
que me enche esta cabeça tonta de ilusão

só tenho este deserto que escavei
e a areia que encontrei
pequenos grãos de pequenos nadas

areias que somadas
são a quantia exacta
a quantia da minhas magoas

eu só tenho esta estrada feita de demónios
que me assaltam os sonhos

demónios
que fogem com a manhãs que me faltam
que me roubam a sombra dos dias onde me abrigo
que me escondem as horas para meu castigo










"quando é que actualizas a tua barca? "...disse ela...

segunda-feira, junho 20, 2005

minha barca


fotografia analógica, luchas nihil, numa propriedade dedicada ao turismo rural, em serpa, alentejo.
rural! ...deveras surreal



A minha barca ruma
com destino, na bruma
leva o peso do mundo.
E o peso de um segundo
oscila, no teu olhar
sem pressa, com vagar.

Navegamos, de lés
a lés, nestas marés
que rebentam no meu
peito. Porquanto em teu
olhar me sustentar,
não vai a barca afundar.

Peço-te mil cuidados,
trago os ossos gelados,
e as velas, a rasgar
a minha alma, a sangrar
sonhos esfarrapados.
Nascem já, condenados.

Do outro lado da margem,
ao Engano, com coragem
acenámos adeus.
Que nunca queira Deus
nesta nossa jornada,
minha barca encalhada.



terça-feira, junho 14, 2005

[ ]



fotografia analógica por lucas nihil, espanha, santiago compostela



eram tempos,
em que o tempo não tinha fim.
o fim em si,
era o principio,
até que o insustentável folgo do infinito
nos roubou a respiração.
...os demónios bailaram satisfeitos no teu coração...







quarta-feira, junho 08, 2005

...de partida.


fotografia digital, S. Miguel, algures no norte, por lucas nihil, [ grão, cores ; manipulados digitalmente]





...na estação deserta...
o ruído do comboio trespassa-nos a alma,


as mãos juntas ficaram,
as tuas nas minhas.

o metal retorcido das palavras enferrujou a partida,
desprendi um beijo metálico,
e quebrei o meu olhar na tua boca.

os carris paralelos cruzaram-se
na linha do horizonte dos meus olhos,

e a perpendicular dos ponteiros
originou a hora do meu regresso.

derramei uma oração sobre o cheiro do adeus.


...tenho estado um pouco surrealista...tenho poucos luxos na vida
....ao menos que seja este, meu.

sexta-feira, junho 03, 2005

marés


fotografia analogica, lucas nihil

....toma lo suave, vai com calma....[ Republica Dominicana]



estas ondas de destroços
 sem porto ou amarras
           violentamente
                     desfazem-se em palavras


  sulco a tua pele
 e sinto o torpor nos dedos
quando percorro teu corpo de lés a lés


                  sargaços de solidão
           desato os como nós cegos
                    trazidos pelas marés